BH: Glouton

Por causa do blog, tentamos evitar repetir lugares, já que há muitos para conhecermos. Por isso, estávamos guardando o Glouton para uma ocasião especial, e enquanto isso fomos flertando com a culinária do chef Leonardo Paixão em alguns eventos pela cidade, como no Gastronomia na Praça e na feirinha mensal do Projeto Aproxima.

O Glouton foi eleito em 2013 o Restaurante Revelação pela Veja Comer e Beber BH. Em 2014, já estabelecido e consolidado, recebeu o prêmio de melhor cozinha contemporânea e Leonardo Paixão ganhou o título de chef do ano.

Escolhemos o Glouton para comemorar nosso aniversário de namoro em um jantar romântico que sabíamos que não nos decepcionaria e faria jus à ocasião! :)

glouton romance

Sentamos no salão (há também um jardim interno e mesas na calçada). A decoração é simples, porém bonita. O objetivo é, certamente, não ofuscar a estrela do restaurante: cozinha exposta bem no meio do salão.

O atendimento é ok. Nada excepcional, que impressione o cliente, mas certamente fomos bem atendidos. Ainda assim, a impressão que fica é de simpatia, talvez pelo sorriso largo sempre estampado no rosto do chef Leonardo Paixão. Ah, e o uniforme listrado dos garçons (bem francês!) é uma graça, rs.

É imprescindível fazer reserva. Em plena terça-feira, a fila de espera era enorme! Ficamos impressionados, mas não surpresos. O Glouton é, sem dúvida, o restaurante do momento, em razão de sua boa comida e seu chef premiado. Somam-se a isso a excelente localização, bem no coração do Lourdes, e os preços dos pratos um pouquinho melhores do que seus concorrentes (veja bem, não é barato, apenas menos caro do que outros restaurantes na mesma região).

Ah, nós utilizamos o nosso Duo Gourmet, com o qual você compra um prato principal e ganha outro de igual ou menor valor.

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Para beber, fomos de Hoegaarden, uma ótima cerveja belga (R$9,50). Era uma terça e já tínhamos bebido uma garrafa de vinho na noite anterior… Mas, a título de curiosidade, demos uma olhada na carta de vinhos e não achamos os preços muito atrativos.

E como não poderia deixar de ser, considerando a formação francesa do chef, eles oferecem gratuitamente água filtrada em jarra para os clientes.

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O cardápio não é extenso, e nem precisa ser! As opções cabem em uma folha e já são suficientes para te deixar em dúvida. Mas a verdadeira razão é que o menu é sazonal, e varia conforme a disponibilidade e preço dos ingredientes.

O Glouton investe em produtos de qualidade, que fazem toda a diferença no resultado final, e em ingredientes tipicamente brasileiros empregados de forma muito criativa. E a apresentação dos pratos é de encher os olhos!

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Pastilha de queijo canastra com mel (R$23,00)

Para a entrada, nada mais mineiro do que o combo queijo canastra e mel. As pastilhas parecem um pastelzinho, com uma fina camada crocante triangular que envolve o queijo canastra derretido. O mel vem num potinho separado, para que o cliente possa utilizar a quantidade que preferir. Apesar de simples, é uma entrada maravilhosa e que recomendamos muito. A única crítica fica por conta da quantidade de óleo no fundo do pote das pastilhas: apesar de elas estarem bem sequinhas e crocantes, a visão da poça de óleo não foi muito agradável…

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Papada de porco braseada e assada, mil-folhas de mandioca e molho de laranja (R$52,00)

Já sabíamos que esse seria um dos pratos da noite desde que comemos uma variação dele no Gastronomia na Praça. Prato irretocável, criativo, executado à perfeição. A carne simplesmente desmancha com um leve toque do garfo, coisa linda de se ver e comer. O mil-folhas de mandioca é uma ideia ótima para um ingrediente muito simples e comum, feito a partir de lâminas de mandioca sobrepostas. A mandioca estava deliciosa e muito macia! Por fim, o molho de laranja era suave e complementava bem o porco e a mandioca, fazendo com que todos os elementos do prato harmoniosamente se conjugassem.

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Camarões VG com ravióli de abóbora moranga e molho curry e capim limão (R$69,00)

Sendo a papada uma pedida certa, sucesso reconhecido do restaurante, o segundo prato era uma incógnita. Optamos pelos Camarões VG com ravióli de abóbora moranga e molho curry e capim limão, tanto porque a descrição já era o suficiente para salivarmos quanto pelos elogios que já tínhamos ouvido sobre o prato. E a escolha não poderia ter sido mais certa.

Os camarões estavam perfeitos. Eram grandes como a descrição anunciava e estavam no ponto exato, nem molengas nem borrachudos. O ravióli contava com uma finíssima massa, o que permitia sentir, ao máximo, o gosto da pasta da moranga em seu interior. E o molho… que molho era esse?! O curry se apresentava no primeiro contato com a boca, mas jamais ofuscando o capim limão, cujo sabor se revelava gradualmente. Evidentemente, é um molho de gosto forte, o que pode desagradar alguns. Mas esse não foi o nosso caso.

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Torta de chocolate, flor de sal, pimenta do reino e calda quente de caramelo (R$18,00)

Por fim, a estrela da noite e dos nossos corações, o momento mais aguardado do jantar! hahaha A torta mousse tem sabor marcante de chocolate amargo. Por isso, a flor de sal e a calda de caramelo quente formam o trio perfeito com ela, já que os sabores doce e salgado ficam bem equilibrados. A calda quente de caramelo é derramada sobre a torta já na mesa, uma visão de matar qualquer gordinho do coração! Seríamos muito felizes comendo isso todo dia…

Então, o Glouton é tudo isso que dizem e mais. Fomos com as expectativas altíssimas e saímos de lá mais do que satisfeitos! Bom atendimento, comida maravilhosa, criatividade, simpatia, simplicidade… Enfim, vale muito a pena e faz jus à fama que tem construído!

Glouton: R. Bárbara Heliodora, 59, Lourdes – (31) 3292.4237. Horário de funcionamento: de terça a quinta de 19:30 à 0h; sexta de 12h às 15h, de 19:30 à 01h; sábado de 13h às 17h, de 19:30 à 01h; domingo de 13h às 17h.

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BH: Oak Restaurante e Wine Bar

Nossa primeira ida ao Oak foi para jantar durante a edição do segundo semestre de 2013 do Restaurant Week. Gostamos tanto, que voltamos na 8ª Edição do Restaurant Week em BH. O cardápio de almoço custava R$37,90 + R$1 (Jornada Solidária).

Chegamos cedo, pois não tínhamos reservas e estávamos com (muita) fome. Durante nosso almoço, a casa lotou bastante, mas ainda assim o atendimento foi excelente do início ao fim, mantendo a boa impressão que já tínhamos.

A decoração, na qual prevalece o uso da madeira, é bem charmosa. A única ressalva que fazemos é que, da vez em que fomos para jantar, sentamos na área interna e ficamos muito incomodados com uma televisão passando propagandas (!) que estava bem em frente à nossa mesa. Porque, né, qual a necessidade disso, gente? A luz era chata e a televisão desviava involuntariamente nossa atenção, muito desagradável.

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Fomos para um almoço de domingo e sentamos na varanda, bebendo umas cervejas, num clima muito agradável. Pra variar, a cerveja era Stella… mas como era domingo e estava de dia, vamos perdoar.

Engraçado que, apesar de a casa ter uma vasta e (teoricamente) boa carta de vinhos, notamos que grande parte das mesas também estava consumindo cerveja. E aí, permanece nosso questionamento: por que os bons restaurantes de BH não investem em uma melhor carta de cervejas também?

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Entrada: Confit de bacalhau com galette de batata crocante e tapenade de olivas.

Entrada deliciosa, cujo único pecado era o excesso de gordura no galette de batata, que, a propósito, estava realmente crocante. O tapenade de olivas conferia a acidez ideal ao prato e reinventava a parceria bacalhau + azeitonas pretas de forma muito feliz. A combinação de sabores e texturas nos deixou muito satisfeitos.

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Prato principal: Pappardelle de funghi nero com ragu de costela bovina e dijon.

O pappardelle estava bem cozido, o que agradou o paladar de um e desagradou o do outro, que prefere a massa mais al dente. O molho estava gostoso, porém um pouco ralo, poderia ser mais encorpado… Não sentimos nem o cheiro da mostarda dijon, que ficou só no nome do prato. A quantidade de funghi poderia ser maior. No entanto, apesar dos pesares, a massa estava deliciosa e só faltou lambermos os pratos! rs

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Sobremesa: Parfait de doce de leite, compota de banana e farofa de castanhas.

O parfait estava com ótima consistência e levemente gelado. Não se destacou o gosto do doce de leite, o qual acabou completamente obscurecido pela essência de café utilizada (que, diga-se de passagem, não constava na descrição da sobremesa, o que pode desagradar aqueles que não são adeptos). De toda forma, o resultado era positivo, especialmente em razão da farofa de castanhas, que casava muito bem com a textura da sobremesa.

Por outro lado, a compota de banana foi um aspecto negativo do prato, já que nem o seu gosto e nem a sua aparência despertavam qualquer interesse em experimentá-la. Analisando o conjunto, a bolinha de banana restou totalmente desconexa dos demais ingredientes, de modo que a sua introdução poderia ter sido melhor pensada pela casa.

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Sobremesa: Sorbet de goiaba com creme de queijo canastra e caramelo de goiabada.

Em uma expressão: alôôô Minas Gerais!! hahaha Falando sério agora, essa sobremesa, tão tão mineira, estava extraordinária. O creme de queijo e a goiabada caseira (com gosto de goiaba mesmo, nada artificial) casavam perfeitamente. O sorbet de goiaba só adicionou mais gostosura ainda. Seria muito feliz comendo isso todos os dias da minha vida!

O Oak é muito bom, não é à toa que voltamos. Vale muito a pena ir lá durante o Restaurant Week, pois os cardápios são bons e a casa mantém a qualidade da comida e do atendimento durante o evento.

Oak: R. Curitiba, 2164, Lourdes – (31) 2511.6694.

BH: Trindade

O Trindade era um desejo antigo nosso… Aproveitamos a 8ª edição do Restaurant Week em BH para finalmente conhecermos a casa. O restaurante é comandado por Fred Trindade e Felipe Rameh, que, durante toda a noite, circularam pelo salão e cumprimentaram alguns clientes. A propósito, Felipe Rameh foi eleito pela Veja BH 2013 como o Chef do Ano.

O Trindade mistura – com maestria, diga-se de passagem – elementos clássicos e modernos, tanto na cozinha, quanto na decoração. A cozinha contemporânea e autoral traz sofisticação a ingredientes tradicionais da culinária mineira e inova em suas misturas e aplicações.

O serviço é impecável, como se espera de um restaurante do nível do Trindade.

Durante o Restaurant Week, o cardápio de jantar custa R$49,90 + R$1 (Jornada Solidária). Diferente dos outros restaurantes participantes, que apresentam apenas duas opções em cada tempo do menu, o Trindade tinha cinco opções de entrada (além das que pedimos, tinha também Dadinhos de tapioca com melado e alecrim, Espetinho caprese com queijo do Serro e Canapé de ovinho trufado com queijo Zé Mario e flor de sal) e de prato principal (além dos nossos, Creme de baroa com cogumelos, castanhas e brotos, Picadinho de filé angus glaceado com abobrinha caipira, banana, farofa croc e ovo frito e Peixe do dia com palmito assado, legumes verdes e purê de banana). Ponto para o Trindade, que preza pela variedade e por tentar agradar ao máximo o cliente. Além disso, as opções apresentadas integram o cardápio regular da casa, o que torna o RW uma ótima oportunidade para conhecê-la.

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O amplo salão apresenta belos painéis de Rogério Fernandes, que, aliados aos suntuosos lustres, grandes mesas de madeira e antigos utensílios de cozinha, compõem um ambiente arrojado e aconchegante. Nas mesas, o vasinho de flor e a panelinha com pimenta adicionam charme e reforçam o cuidado com a decoração em todos os detalhes.

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No entanto, apesar do alto nível do restaurante, pra variar, a cerveja era Stella. Um pouco decepcionante não encontrar nenhuma cerveja especial…

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Entrada: Tulipinha de frango orgânico Korin com mel e mostarda.

A tulipinha era um show de execução para uma ideia bem simples. A pela estava crocante na medida certa, e a carne bastante macia. O gosto da mostarda não obscurecia o sabor do frango, servindo – como sempre deve ser – para realçá-lo. O ramo de alecrim coroava a experiência, conferindo um gosto marcante para a entrada.

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Entrada: Batatinha brava com parma Sr. Chiari.

As batatinhas estavam bem cozidas, mas muito apimentadas. Uma entrada correta, mas não excepcional. Queria ter pedido os dadinhos de tapioca, mas estavam em falta na noite que fomos…

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Prato principal: Jarret de porco com angu de milho verde e gremolata.

A panturrilha de porco estava, simplesmente, deliciosa, desfiando, delicadamente, a cada garfada. Apesar de servida em um evento movimentado, como o Restaurant Week, o jarret foi preparado da maneira correta: assado lentamente por horas. Diferentemente da famosa panturrilha que integra o cardápio da Salumeria Central, esta veio à mesa bem quente, o que – ao menos, em minha humilde concepção – torna o prato ainda mais agradável.

O angu de milho também estava bem gostoso, casando, perfeitamente, com o molho que acompanhava o jarret. Textura e sabor bastante suaves. O prato só não foi perfeito pela escassez de gremolata. Para vocês terem uma ideia, a quantidade foi tão pouca que por várias vezes interpelei o garçom para que ele trouxesse o pote de tempero, já que, na minha ingênua visão, haviam se esquecido de servi-lo. Quem tiver uma lupa em casa pode tentar enxergar a gremolata no meu prato: são aqueles dois ramos de salsa no lado direito da panturrilha.

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Prato principal: Bobó de camarão com arroz de coco e chips de raízes brasileiras.

O bobó de camarão estava delicioso, embora também muito apimentado. Aqui ficou a única dúvida da noite: pedi que a pimenta fosse suave; mas, para o meu gosto, estava muito apimentado. E aí eu não sei se meu pedido não foi atendido ou se o prato normalmente tem níveis extraordinários de pimenta… Os chips de raízes não estavam muito crocantes, talvez por terem vindo em contato com o molho do bobó, e poderiam ter vindo em maior quantidade. Os camarões do bobó eram grandes e vieram em quantidade razoável (nem muito, nem pouco, mas eu aceitaria mais de bom grado, rs). De acompanhamento, o arroz com amêndoas, lascas de coco e raminhos de funcho (erva-doce) suavizava a pimenta do bobó. As amêndoas adicionaram a crocância desejada, que faltava aos chips. A mistura de sabores do arroz era agradável e casava bem com o tempero forte do bobó. Um prato excelente, até mesmo para quem não gosta de pimenta…

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Sobremesa: Crème brûlée de doce de leite Viçosa.

O crème brûlée preparado com doce de leite Viçosa é mais uma tentativa muito bem sucedida de reinventar ingredientes regionais. A sobremesa é doce sem ser enjoativa, graças à adição de flor de sal, que quebra o açúcar do doce de leite, ao mesmo tempo que realça seu sabor. Veio quentinho (amo doce quente!), com a casquinha bem crocante. A porção é farta e sugerimos, a quem for fora do RW, que peça para dividir. Doce sensacional, do tipo que dá vontade de comer sempre.

Fomos com expectativas bem altas, e o Trindade superou todas. Comida, atendimento e ambiente excelentes. Cozinha autoral e excepcional. É, sem dúvida, um restaurante diferenciado, que faz jus à fama que tem.

Trindade: R. Alvarenga Peixoto, 388, Lourdes – (31) 2512.4479.