BH: Trindade

O Trindade era um desejo antigo nosso… Aproveitamos a 8ª edição do Restaurant Week em BH para finalmente conhecermos a casa. O restaurante é comandado por Fred Trindade e Felipe Rameh, que, durante toda a noite, circularam pelo salão e cumprimentaram alguns clientes. A propósito, Felipe Rameh foi eleito pela Veja BH 2013 como o Chef do Ano.

O Trindade mistura – com maestria, diga-se de passagem – elementos clássicos e modernos, tanto na cozinha, quanto na decoração. A cozinha contemporânea e autoral traz sofisticação a ingredientes tradicionais da culinária mineira e inova em suas misturas e aplicações.

O serviço é impecável, como se espera de um restaurante do nível do Trindade.

Durante o Restaurant Week, o cardápio de jantar custa R$49,90 + R$1 (Jornada Solidária). Diferente dos outros restaurantes participantes, que apresentam apenas duas opções em cada tempo do menu, o Trindade tinha cinco opções de entrada (além das que pedimos, tinha também Dadinhos de tapioca com melado e alecrim, Espetinho caprese com queijo do Serro e Canapé de ovinho trufado com queijo Zé Mario e flor de sal) e de prato principal (além dos nossos, Creme de baroa com cogumelos, castanhas e brotos, Picadinho de filé angus glaceado com abobrinha caipira, banana, farofa croc e ovo frito e Peixe do dia com palmito assado, legumes verdes e purê de banana). Ponto para o Trindade, que preza pela variedade e por tentar agradar ao máximo o cliente. Além disso, as opções apresentadas integram o cardápio regular da casa, o que torna o RW uma ótima oportunidade para conhecê-la.

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O amplo salão apresenta belos painéis de Rogério Fernandes, que, aliados aos suntuosos lustres, grandes mesas de madeira e antigos utensílios de cozinha, compõem um ambiente arrojado e aconchegante. Nas mesas, o vasinho de flor e a panelinha com pimenta adicionam charme e reforçam o cuidado com a decoração em todos os detalhes.

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No entanto, apesar do alto nível do restaurante, pra variar, a cerveja era Stella. Um pouco decepcionante não encontrar nenhuma cerveja especial…

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Entrada: Tulipinha de frango orgânico Korin com mel e mostarda.

A tulipinha era um show de execução para uma ideia bem simples. A pela estava crocante na medida certa, e a carne bastante macia. O gosto da mostarda não obscurecia o sabor do frango, servindo – como sempre deve ser – para realçá-lo. O ramo de alecrim coroava a experiência, conferindo um gosto marcante para a entrada.

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Entrada: Batatinha brava com parma Sr. Chiari.

As batatinhas estavam bem cozidas, mas muito apimentadas. Uma entrada correta, mas não excepcional. Queria ter pedido os dadinhos de tapioca, mas estavam em falta na noite que fomos…

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Prato principal: Jarret de porco com angu de milho verde e gremolata.

A panturrilha de porco estava, simplesmente, deliciosa, desfiando, delicadamente, a cada garfada. Apesar de servida em um evento movimentado, como o Restaurant Week, o jarret foi preparado da maneira correta: assado lentamente por horas. Diferentemente da famosa panturrilha que integra o cardápio da Salumeria Central, esta veio à mesa bem quente, o que – ao menos, em minha humilde concepção – torna o prato ainda mais agradável.

O angu de milho também estava bem gostoso, casando, perfeitamente, com o molho que acompanhava o jarret. Textura e sabor bastante suaves. O prato só não foi perfeito pela escassez de gremolata. Para vocês terem uma ideia, a quantidade foi tão pouca que por várias vezes interpelei o garçom para que ele trouxesse o pote de tempero, já que, na minha ingênua visão, haviam se esquecido de servi-lo. Quem tiver uma lupa em casa pode tentar enxergar a gremolata no meu prato: são aqueles dois ramos de salsa no lado direito da panturrilha.

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Prato principal: Bobó de camarão com arroz de coco e chips de raízes brasileiras.

O bobó de camarão estava delicioso, embora também muito apimentado. Aqui ficou a única dúvida da noite: pedi que a pimenta fosse suave; mas, para o meu gosto, estava muito apimentado. E aí eu não sei se meu pedido não foi atendido ou se o prato normalmente tem níveis extraordinários de pimenta… Os chips de raízes não estavam muito crocantes, talvez por terem vindo em contato com o molho do bobó, e poderiam ter vindo em maior quantidade. Os camarões do bobó eram grandes e vieram em quantidade razoável (nem muito, nem pouco, mas eu aceitaria mais de bom grado, rs). De acompanhamento, o arroz com amêndoas, lascas de coco e raminhos de funcho (erva-doce) suavizava a pimenta do bobó. As amêndoas adicionaram a crocância desejada, que faltava aos chips. A mistura de sabores do arroz era agradável e casava bem com o tempero forte do bobó. Um prato excelente, até mesmo para quem não gosta de pimenta…

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Sobremesa: Crème brûlée de doce de leite Viçosa.

O crème brûlée preparado com doce de leite Viçosa é mais uma tentativa muito bem sucedida de reinventar ingredientes regionais. A sobremesa é doce sem ser enjoativa, graças à adição de flor de sal, que quebra o açúcar do doce de leite, ao mesmo tempo que realça seu sabor. Veio quentinho (amo doce quente!), com a casquinha bem crocante. A porção é farta e sugerimos, a quem for fora do RW, que peça para dividir. Doce sensacional, do tipo que dá vontade de comer sempre.

Fomos com expectativas bem altas, e o Trindade superou todas. Comida, atendimento e ambiente excelentes. Cozinha autoral e excepcional. É, sem dúvida, um restaurante diferenciado, que faz jus à fama que tem.

Trindade: R. Alvarenga Peixoto, 388, Lourdes – (31) 2512.4479.

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