BH: Au Bon Vivant

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Para nossa última noite gastronômica do ano, escolhemos o Au Bon Vivant. A dúvida na hora de escolhermos um restaurante foi grande, mas o francês sem frescuras despertou nosso interesse e curiosidade com as opções de seu cardápio – disponibilizado no site. As ótimas resenhas internet afora também foram um fator decisivo, e só reforçaram a nossa impressão – até então, sem provas – de que  encontraríamos excelente qualidade nas entradas, pratos principais e sobremesas. Por fim, a decoração simples e aconchegante, bem ao estilo dos bistrôs franceses, é o cenário ideal para um jantar romântico.

Mas o Au Bon Vivant tem também outros diferenciais.

O primeiro deles é o sistema de vinhos: os rótulos são importados pelo próprio restaurante diretamente dos produtores, o que resulta em preços inferiores aos concorrentes. Quase todas as opções do cardápio são servidas na taça de 125ml, jarra de 500ml ou garrafa, a gosto do freguês. E, antes de ir embora, você ainda pode passar no empório e comprar alguns vinhos importados ou compotas e doces de fabricação própria. Além disso, o cardápio já indica vinhos para harmonizarem com todos os pratos, inclusive as sobremesas, o que facilita a vida de quem não é muito entendido do assunto… E foi por tudo isso que resolvemos abrir uma exceção e pedimos taças de vinho (tinto, branco e espumante) para alegrar a nossa noite. E também porque, de cerveja, só tinha Stella e Bohemia.

O segundo é a água à vontade. Mas à vontade mesmo, já que a jarra d’água era constantemente preenchida. Algo comum em vários países europeus, mas raro no Brasil. E aqui vai um desabafo: é até mesquinho restaurante caro não oferecer água aos seus clientes. E mais ainda: tem restaurante por aí cobrando seis realidades por uma garrafa pequena de água, um absurdo. É um agrado que custa muito pouco, mas que faz muita diferença para quem está sendo servido.

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Logo na chegada, o Au Bon Vivant já ganhou nosso coração. Tínhamos uma reserva e chegamos cerca de 20min atrasados, porque é difícil conseguir táxi quando chove em BH. Fomos recebidos pelo proprietário, o francês Philippe Watel, com seu inconfundível sotaque e uma simpatia de dar gosto, que rapidamente nos arrumou uma mesa. Esperamos por menos de cinco minutinhos sentados no bar, já com duas taças d’água à nossa frente. E o bom atendimento se manteve por toda a noite, impecável do início ao fim.

E um aviso: vá sem pressa. Os pratos são preparados artesanal e cuidadosamente, com poucos ingredientes congelados. Há um aviso no cardápio, mas o garçom ressalta esse ponto, sugerindo que o prato principal seja pedido ao mesmo tempo que a entrada, para que a espera não seja longa demais.

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Entrada: Cogumelos à provençal (R$26,00) – Cogumelos de Paris salteados com tomate, cebola e ervas.

Sem dúvidas, a melhor entrada que já comemos! Poderíamos comer um caldeirão inteiro… Aliás, não peçam para dividir, sob pena de sair briga na mesa! Os cogumelos estavam bem cozidos, no ponto ideal. O molho, com tomatinhos cereja, cebola e ervas, é excepcional, de comer de colherada! Dá pra sentir bem o gosto da cebola e das ervas, o que faz toda a diferença. Nossas expectativas eram altas para esse prato, mas o Au Bon Vivant sambou na cara delas! E os cogumelos viraram sinônimo de amor entre nós! rs

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Entrada: Terrine de pâté de campagne (R$16,00) – Preparação de pernil de porco assado em banho-maria com conhaque e especiarias.

Os acompanhamentos do terrine eram mini cebolas em conserva, brotos de alfafa e cebola caramelizada.  Honestamente, é injusto avaliar a terrine depois de conhecermos o céu em forma de champignon. A entrada não estava ruim, mas ficou totalmente obscurecida diante do prato anterior. Por isso, é melhor pedir duas panelinhas de cogumelos ou a famosa sopa de cebola, que queremos muito voltar lá para experimentar.

Todas as entradas são acompanhadas por uma cesta de pães.

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Prato principal: Entrecôte au poivre vert (R$52,00) – Contrafilé ao molho de pimenta verde, acompanha batatas sautées ao alecrim.

Há muito tempo que esperava provar esse prato em um restaurante genuinamente francês. Apaixonado por pimentas, não hesitei em pedir o entrecôte au poivre vert. E o prato atendeu plenamente as minhas expectativas. O molho de pimentas verdes estava delicioso, casando muito bem com o sabor acentuado do contra-filé. As batatas eram o acompanhamento perfeito para a carne, estando muito bem temperadas e assadas.

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Prato principal: Parmentier de pato confitado (R$46,00 – prato da semana) – “escondidinho” francês com peito de pato confitado, purê de batata e gruyère.

A porção é servida em uma Le Creuset, e até achei pequena na hora que vi, mas, na verdade, é muito bem servida. Quando fizemos o pedido, tive receio que viesse muito purê de batata e pouca carne, mas aconteceu o contrário, e achei até que podia ter um pouquinho mais de purê… O tempero estava delicioso e o peito de pato desfiado, bem macio e saboroso. O purê estava cremoso, no ponto ideal, sem nenhum pedacinho de batata (odeio quando acontece isso). O gruyère derretido finalizava perfeitamente o prato. Tão bom, que poderia facilmente ser adicionado ao cardápio regular da casa, eu comeria de novo com certeza.

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Sobremesa: Fondant au chocolat et aux amandes (R$17,00) – Torta de chocolate meio amargo com farinha de amêndoas (sem glúten).

Muito parecida com um brownie, a torta apresentava um forte sabor de chocolate meio amargo. Mas a sensação da sobremesa estava onde menos se esperava, já que nem mesmo era mencionada na descrição dada no cardápio. As três gotas de geleia de amora fizeram toda a diferença. Infelizmente, essa delícia era extremamente escassa no prato, a ponto de nos fazer esfregar o bolo repetidamente no prato para roubar o gosto remanescente de fruta. Queríamos até comprar da geleia de amora, pena que ela não é vendida no empório… Como indica o cardápio, a torta é gluten free: ponto para a casa, que se preocupa em servir uma sobremesa possível para celíacos.

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Sobremesa: Crème brûlée com baunilha de Madagascar (R$17,00).

Se a baunilha era ou não de Madagascar, não sabemos dizer. O fato é que o crème brûlée é uma excelente sobremesa, leve e não muito adocicada. A casquinha de açúcar caramelizado, nem muito fina ou grossa, confere a crocância necessária ao doce.

Em poucos meses de funcionamento, o Au Bon Vivant conseguiu se destacar entre os restaurantes de BH pela ótima comida, atendimento impecável e simplicidade. Saímos de lá com o desejo de voltar em breve, e já até escolhemos o cardápio da próxima! rs

Au Bon Vivant – Rua Pium-í, 229, Cruzeiro – (31) 3227.7764.

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